cool ontem, hoje blasé

“Quando notei Miles Davis em pé num canto escuro, tentei tocar com mais vigor porque ele estava na banda de Bird. Parecia que Miles sempre ficava pelos cantos. Ele se aproximou enquanto eu guardava o instrumento, por volta das 3h da manhã. Fiz um ar de indiferença cool. Eu costumava ensaiar aquela pose. Estávamos os dois de óculos escuros. Ninguém via o olho de ninguém. Vai estar de olho aberto no ensaio de amanhã?, Miles me perguntou. Acho que sim. Eu agi como se me lixasse para aquela merda de ensaio. No [estúdio] Nola. Às 4h. Miles fez questão de deixar bem claro que não dava a mínima se eu ia aparecer ou não.” (o trombonista Mike Zwerin, final da década de 40, em Kind of Blue: a história da obra-prima de Miles Davis, Ashley Kahn, ed. Barracuda, 2007)

Miles Davis e John Coltrane, entre os anos 50 e 60

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  1. mas é muito bom! texto+foto. **

  2. Sempre fui grande fã da arte de Miles Davis, Beatriz, e lendo agora o livro citado no post, que não deixa de ser uma biografia do genial trompetista, fiquei também fascinado pela figura que era, por sua personalidade, seu comportamento e estilo de ser dentro e fora dos palcos.

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